14.05.2026 — 01.07.2026
Sala Nogueira
Centro Cultural da UFRGS
Porto Alegre/RS
Acompanhamento crítico e texto de parede por Cristina Barros.
Tiago Gasperin (Farroupilha/RS, 1997) vem elaborando uma prática artística que parte de regras, convenções e modos de uso para colocá-los em circulação de maneiras alternativas, como repetições, deslocamentos e inutilizações, revelando tanto sua arbitrariedade quanto sua abertura.
A produção de Gasperin se estrutura a partir de uma mecânica poética que tensiona as métricas que organizam nossa relação com o mundo, especialmente aquelas que quantificam áreas e corpos. Em suas operações, instrumentos como réguas e trenas deixam de cumprir funções normativas para se tornarem dispositivos de linguagem, deslocando sistemas de medida para um campo em que precisão e absurdo passam a coexistir.
Em “Estândar”, a medida aparece como forma de codificação da experiência, sustentada por uma clareza formal que privilegia a evidência de relações físicas, como distâncias, alturas e proporções. Esse sistema é progressivamente substituído por marcadores que diluem sua autoridade numérica, mantendo uma aparência funcional enquanto deslocam sua credibilidade ao introduzirem instabilidades nos sistemas que pretendem organizar o mundo.
Ao mesmo tempo, sua prática preserva uma relação discreta, mas persistente, com regimes de visualidade marcados pela precisão, pela padronização e por uma lógica de interface, que parecem infiltrar-se nas obras mesmo quando colocados em desvio.
Sua formação no Instituto de Artes da UFRGS, concluída em 2025, atravessa esse percurso de maneira clara, ao consolidar experiências com performance, proposições participativas e linguagens multimídia que contribuem para o amadurecimento de sua pesquisa.
Situado em um contexto recente de produção artística em Porto Alegre que tem revelado novos nomes consistentes, Gasperin aposta em um caminho conceitual com certa dose de risco, justamente por ainda depender de contextos institucionais específicos para se ativar plenamente.
É nesse descompasso entre sua abordagem e as condições de visibilidade que orientam sua circulação que a prática encontra um de seus pontos mais produtivos, insistindo em uma presença que, por sua economia e discrição, resiste a formas imediatas de reconhecimento e adesão.
Trabalhos presentes na exposição #
- 171 linhas de 171 × 1 cm
- Dispositivos para manter a cabeça no lugar
- Esquema de deslocamento (frente, verso, frente)
- Medido de cabeça
- Medido na mão (polegares)
- Modelos abstratos de deslocamento
- Para medir de olho (3 tentativas)
- Série Parâmetros
- Tape measure blues